Por Raudrin de Lima(Jornalista e Advogado)
Maceió não está morrendo de uma vez. Está sendo assassinada aos poucos. E o nome do algoz é conhecido: Braskem.
O que deveria ser apenas uma empresa de mineração virou símbolo de destruição, incerteza e medo. Desde que os primeiros bairros começaram a ceder sobre as minas de sal-gema escavadas ao longo de décadas, a capital alagoana vive sob uma sombra. A terra treme. As casas racham. As crateras se abrem. Mas o que mais se afunda é a segurança psicológica de quem vive ali.
O que a Braskem tem feito com Maceió não é apenas um crime ambiental. É um processo lento de extermínio social e emocional.
Viver com medo não é viver
Os moradores de bairros como Mutange, Pinheiro, Bebedouro e Bom Parto foram arrancados de suas raízes, muitos sem saber se voltarão um dia. O chão — literal e simbólico — se abriu. E continua abrindo. A qualquer momento, um novo tremor, um novo afundamento. A cada nova ameaça, o povo encolhe mais.
A dor é diária. O medo é cotidiano.
Enquanto isso, a Braskem paga indenizações calculadas como se isso fosse suficiente para compensar a destruição de lares, de histórias, de vidas. Pagam o que querem. Mandam como querem. E seguem lucrando.
Pontal da Barra: uma bomba viva
Se no Pinheiro a tragédia já aconteceu, no Pontal da Barra ela é anunciada. Uma indústria química no coração de um bairro residencial, cercada por casas, por vidas, por crianças. Sirenes tocam, simulados de emergência acontecem, como se fosse possível ensinar alguém a “morrer menos” em caso de vazamento ou explosão.
A Braskem diz que é segurança. Os moradores sentem que é aviso.
O som da sirene é o lembrete de que a qualquer hora tudo pode acabar.
O poder econômico que vale mais do que vidas
O caso Braskem é a evidência cruel de que, no Brasil, vidas valem menos do que cifras. A empresa ainda opera, ainda lucra, ainda negocia. Enquanto isso, Maceió vive sob ameaça. E o povo… espera.
Espera o próximo tremor. A próxima rachadura. Quem será que irá morrer você ou seus filhos?
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Uma cidade refém
Maceió virou símbolo de uma tragédia silenciosa. Uma cidade inteira sendo destruída de dentro pra fora. Primeiro, pelas minas. Depois, pelo abandono. Por fim, pelo medo.
E, enquanto isso, a Braskem segue. Fala em responsabilidade. Publica relatórios. Faz treinamentos.
Mas quem mora aqui sabe: o que está acontecendo é um assassinato lento. Frio. Covarde.
E quando a última casa cair, quando a última sirene tocar, quando a última esperança for embora… quem ficará para responder?