Por Raudrin de Lima(Jornalista e Advogado)
Alagoas, terra de praias paradisíacas e rica herança cultural, também é palco de uma série de crimes que marcaram a história recente do estado. Alguns chocaram pela brutalidade, outros pela frieza e cálculo. Mas todos deixaram uma marca profunda na memória da população e expuseram, de formas diferentes, as falhas do sistema de segurança e justiça.
A seguir, um panorama dos crimes mais emblemáticos que abalaram Alagoas.
Ceci Cunha: Crime Político em Plena Diplomação
Na noite de 16 de dezembro de 1998, a deputada federal Ceci Cunha foi assassinada com três familiares em Arapiraca, poucas horas após ser diplomada. O autor intelectual, segundo a Justiça, foi o suplente de Ceci, o então médico e político Talvane Albuquerque. O objetivo era claro: herdar o mandato no Congresso Nacional.
O crime, conhecido como a “Chacina da Gruta”, chocou o país pela frieza e motivação política. Mesmo com a condenação de Talvane, o caso ainda ecoa nos corredores do poder como um exemplo extremo de como a política e o crime podem se entrelaçar.
Chacina da Grota do Cigano: Execução ou Confronto?
Em março de 1996, uma operação da polícia militar na Grota do Cigano, em Maceió, terminou com a morte de 10 pessoas. O caso foi divulgado inicialmente como confronto armado. No entanto, investigações posteriores apontaram para possível execução sumária.
A chacina teve repercussão internacional e levantou questionamentos sobre o uso excessivo da força, principalmente em comunidades pobres. Organizações de direitos humanos cobraram responsabilização, mas poucos avanços foram registrados no processo judicial.
Roberta Dias: A Juventude no Banco dos Réus
Em 2004, o município de União dos Palmares se viu diante de um crime bárbaro: a jovem Roberta Dias, de 16 anos, foi sequestrada, torturada e assassinada por um grupo de adolescentes. O caso chocou não apenas pela violência, mas também pelo perfil dos acusados: jovens de classe média, conhecidos da vítima.
O julgamento expôs a escalada da violência entre jovens e provocou intensos debates sobre o papel da família, da escola e da sociedade na formação de adolescentes. O caso ganhou repercussão nacional e foi pauta em programas de TV e audiências públicas.
Massacre em Ibateguara: A Tragédia Familiar
Cinco pessoas de uma mesma família foram mortas em 2013 no município de Ibateguara, na Zona da Mata alagoana. O motivo: disputa por herança e terras. A chacina foi meticulosamente planejada e executada com requintes de crueldade.
O crime chamou atenção pela frieza dos autores e revelou o quanto conflitos patrimoniais podem escalar para níveis de extrema violência em regiões interioranas.
Pistolagem e Grupos de Extermínio: O Sertão que Sangra
Durante décadas, municípios do sertão alagoano, como Mata Grande e Inhapi, estiveram sob a sombra da pistolagem. Assassinatos por encomenda, milícias armadas e disputas por poder político e econômico marcaram a rotina dessas regiões.
Apesar de operações e prisões pontuais, a sensação de impunidade ainda persiste. Muitos crimes foram arquivados ou permanecem sem autoria conhecida, alimentando o medo e o silêncio.
Um Estado Entre a Esperança e o Medo
A cada crime emblemático, Alagoas se vê diante de um espelho incômodo: o da violência estrutural, da impunidade e da corrupção. Enquanto algumas famílias choram por justiça, outras seguem sem respostas. E em muitos casos, o tempo, aliado ao medo, sepulta a verdade antes mesmo do fim das investigações.
A história dos crimes que abalaram Alagoas é também a história de um estado que luta diariamente para romper com o ciclo da violência.