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23/12/2021 às 12h02min - Atualizada em 23/12/2021 às 12h02min

Entidade interpela judicialmente o Flamengo pela ausência do camisa 24

O time carioca participará da Copa São Paulo Júnior de Futebol 2022, em janeiro próximo

Agência de Notícias

O Grupo Arco-Íris decidiu, desta vez, interpelar judicialmente o Clube Regata Flamengo pela ausência de jogador de camisa 24 para a Copa São Paulo de Futebol Júnior 2022. A ação foi protocolizada nessa terça-feira (21/12), na 25ª Vara Cível do Rio de Janeiro, sob o número 0322558-50.2021.8.19.0001.


A entidade LGBTI+ indagou o clube carioca se existe algum tipo de recomendação por parte da Federação Paulista de Futebol – organizadora do campeonato –, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) ou da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa) para a exclusão do número 24.


A série de competições reunirá adolescentes e jovens de vários clubes brasileiros e está prevista para ocorrer entre os próximos dias 2 a 11 de janeiro, em São Paulo.


No documento, o Grupo Arco-Íris ressaltou as elevadas e tristes estatísticas de crimes homofobia ocorridos no Brasil nos últimos anos. Como é de conhecimento público, o número 24 é associado pejorativamente ao “veado”, animal do Jogo do Bicho, uma contravenção penal no Brasil.


“O Flamengo, como um dos maiores times do país, deveria ter uma responsabilidade social na luta contra a homofobia e agir de forma menos machista ou preconceituosa. Deveria usar do potencial de alcançar os mais diversos públicos, homens e mulheres, ricos e pobres, adultos e jovens, para tentar fazer a diferença fora do campo. Nem toda homofobia é explícita. Muitas vezes, está implícita e disfarçada. A imagem que fica marcada não é a de um eventual dirigente ou atleta supostamente homofóbico, mas a de um clube. O Grupo Arco-Íris, mais uma vez, cumpre seu papel institucional e constitucional de provocar esse debate público em defesa da cidadania”, destacou Cláudio Nascimento, coordenador do Grupo Arco-Íris.


“O Flamengo decidiu seguir o mesmo caminho que a CBF, que excluiu o camisa 24 durante a Copa América no Brasil este ano. Com essa postura, ambos reforçam para a prática discriminatória que existe no futebol brasileiro. Não basta fazer posts nas redes sociais exaltando a diversidade e o respeito, é preciso colocar em prática com ações concretas. A depender da resposta do clube, vamos reportar o caso à Comissão de Ética da Fifa, assim como o fizemos em relação à Seleção Brasileira. Além do mais, não se trata apenas de um campeonato esportivo, e sim de uma série de competições para adolescentes e jovens. Que coisas ensinaremos a essa juventude se o preconceito continuar enraizado no futebol?”, enfatizou Carlos Nicodemos, do escritório Nicodemos & Nederstigt Advogados Associados, que assessora juridicamente o Grupo Arco-Íris.


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