SUS SOB AMEAÇA: O BRASIL NÃO PODE COLOCAR SUAS CONQUISTAS SOCIAIS EM RISCO
Nenhuma promessa de campanha vale mais do que a vida de um paciente
Por Raudrin de Lima — Jornalismo News
Coluna de opinião
Na minha avaliação, uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro representa um risco ao SUS e às conquistas sociais que o povo brasileiro levou décadas para construir. É uma preocupação política que exige debate, cobrança e mobilização. Quando a saúde e a proteção dos mais vulneráveis estão em jogo, a sociedade não pode entregar seu futuro a promessas vagas.
Para quem tem dinheiro, uma consulta pode ser marcada e paga. Para quem depende da rede pública, a falta de atendimento pode significar meses de sofrimento. Por trás de cada discussão sobre orçamento existe uma pessoa esperando um diagnóstico, uma mãe procurando tratamento para o filho, um idoso que precisa de medicamentos para continuar vivendo.
É por essas pessoas que precisamos defender o SUS com firmeza.
Minha oposição a Flávio Bolsonaro parte dessa escolha: quero um país que fortaleça a responsabilidade pública de cuidar da população. Não aceito que a saúde seja subordinada à capacidade de pagamento, nem que direitos sociais sejam tratados como concessões que um governo pode enfraquecer conforme sua conveniência.
O SUS tem problemas que precisam ser enfrentados. Quem espera por uma cirurgia sabe disso. Quem encontra um posto sem atendimento também. Mas essas dificuldades exigem investimento, gestão responsável e valorização dos profissionais. Não podem servir de desculpa para abandonar a rede pública ou reduzir a obrigação do Estado.
Quero compromissos claros sobre financiamento, atendimento e acesso a medicamentos. Quero saber como serão reduzidas as filas e fortalecidos os serviços nos bairros e no interior. Um candidato que pede o voto de quem depende do SUS deve aceitar essa cobrança e responder com medidas que possam ser fiscalizadas.
Nenhuma promessa de campanha vale mais do que a vida de um paciente.
A mesma vigilância deve alcançar as conquistas sociais. Para uma família vulnerável, a proteção pública pode ser o que garante comida na mesa, continuidade dos estudos e condições mínimas de enfrentar uma doença. Enfraquecer essa proteção significa colocar o peso das decisões econômicas sobre quem já enfrenta as maiores dificuldades.
É por isso que considero perigoso normalizar qualquer discurso que apresente os direitos da população como um fardo. O povo que trabalha, paga impostos e sustenta este país tem direito de exigir que os recursos públicos retornem em serviços e dignidade.
Na minha leitura política, a candidatura de Flávio Bolsonaro exige resistência e fiscalização rigorosa. Não afirmo que o fim do SUS esteja decretado. Afirmo que não devemos esperar a perda de um direito para começar a defendê-lo. Minha posição é de oposição a um projeto no qual não deposito confiança para proteger e ampliar essas conquistas.
O Brasil precisa avançar no atendimento, alcançar quem está desassistido e assegurar que ninguém seja deixado para trás por falta de dinheiro. Esse deve ser o compromisso central de qualquer governo.
Defender o SUS é defender a mãe que espera, o trabalhador que adoece e o idoso que precisa de cuidado.
Minha posição é clara: nenhum projeto de poder merece apoio se colocar em risco a dignidade dessas pessoas. As conquistas sociais pertencem ao povo brasileiro, e cabe ao povo exigir que sejam preservadas e ampliadas.
A saúde do Brasil exige compromisso. E a vida da população exige muito mais do que um discurso eleitoral.