Falar sobre a história do folclore alagoano é reconhecer a contribuição grandiosa do mestre Roger Ayres, um dos maiores defensores e divulgadores da cultura popular do nosso estado. Sua trajetória se confunde com a própria luta pela preservação das danças, dos ritmos, das cores, das tradições e das manifestações que formam a identidade do povo de Alagoas.
À frente do Balé Folclórico de Alagoas – Grupo Transart, fundado em 28 de junho de 1976, Roger Ayres transformou dedicação, pesquisa e amor pela cultura popular em um projeto artístico de dimensão histórica. Durante décadas, o grupo atravessou fronteiras e levou aos palcos do Brasil, da América do Sul e da Europa a riqueza de um dos patrimônios culturais mais importantes do país.
Por meio de seus espetáculos, o mestre apresentou ao público a força do guerreiro, do pastoril, do coco de roda, do reisado, das festas juninas e de tantas outras manifestações tradicionais. Cada figurino, coreografia, música e apresentação ajudou a contar a história de Alagoas e a mostrar ao mundo a beleza de um povo criativo, resistente e profundamente ligado às suas raízes.
Roger Ayres não apenas comandou um grupo artístico. Ele formou gerações de bailarinos, abriu caminhos para jovens talentos e transformou o folclore em instrumento de educação, inclusão social, pertencimento e valorização da memória coletiva. Muitos artistas tiveram no Grupo Transart uma escola de vida, disciplina e identidade cultural.
O seu trabalho fez com que o nome de Alagoas estivesse presente em importantes festivais nacionais e internacionais. Por onde passou, o grupo não levou somente um espetáculo: levou a história, a alma e o orgulho do povo alagoano. Essa projeção representa um serviço incalculável prestado à cultura e à imagem do estado.
Em 2026, o Balé Folclórico de Alagoas recebeu da Academia Alagoana de Cultura o Prêmio Théo Brandão, em reconhecimento à força de seu trabalho coletivo e ao impacto duradouro de suas ações na salvaguarda e na difusão da identidade cultural alagoana. A homenagem confirma a importância de uma trajetória construída com perseverança e compromisso.
Entretanto, o reconhecimento ao mestre Roger Ayres não pode ficar restrito a diplomas, troféus ou homenagens ocasionais. Ele precisa ser permanente, público e proporcional ao tamanho de sua contribuição. Os grandes mestres da cultura popular merecem ser valorizados em vida, enquanto podem receber o carinho, a gratidão e o aplauso da sociedade que ajudaram a representar.
Poucas personalidades alagoanas alcançaram, no campo do folclore, a dimensão conquistada por Roger Ayres. Sua obra atravessou gerações e fronteiras, tornando-se uma referência para artistas, pesquisadores e defensores da cultura popular. A sua importância não está apenas no que realizou no passado, mas também no patrimônio vivo que continua deixando para o futuro.
O poder público, as instituições culturais, as universidades, a imprensa e toda a sociedade alagoana possuem o dever de preservar essa história. Reconhecer Roger Ayres é reconhecer o valor do próprio folclore de Alagoas. É compreender que a identidade de um povo depende daqueles que dedicam a vida para manter suas tradições vivas.
Roger Ayres já escreveu seu nome na história. Seu legado está imortalizado nos palcos que percorreu, nos artistas que formou, nas plateias que emocionou e em cada apresentação que fez as cores de Alagoas brilharem dentro e fora do país.
O mestre merece todas as homenagens, honrarias e reconhecimento em vida. Porque celebrar Roger Ayres é celebrar Alagoas, sua cultura, sua memória e a extraordinária riqueza de seu povo.
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