Comissão de Direitos Humanos da OAB apura denúncia de violência contra paciente em CAPS AD de Maceió

Para Raudrin de Lima, o episódio revela uma prática incompatível com os princípios da saúde mental humanizada

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Comissão de Direitos Humanos da OAB apura denúncia de violência contra paciente em CAPS AD de Maceió
Assessoria

Uma grave denúncia de violação de direitos humanos envolvendo um paciente em crise psiquiátrica no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), em Maceió, levou a Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL a realizar uma visita institucional para apuração dos fatos.

A inspeção foi conduzida pelo advogado Raudrin de Lima, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB e presidente do Comitê Intersetorial Pop Rua Maceió, acompanhado por representantes do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Luana Vieira e Miela Morais. A equipe foi recebida pela gerente da unidade, Suzane Lima.

 

🚨 Denúncia de uso de força em paciente em crise

 

De acordo com as informações colhidas, o caso envolve a utilização de arma de choque e disparos com balas de borracha contra um paciente em surto, situação que, segundo a comissão, levanta sérias preocupações quanto à abordagem adotada no manejo de crises psicológicas.

Para Raudrin de Lima, o episódio revela uma prática incompatível com os princípios da saúde mental humanizada:

 

“O uso de armas não letais contra pacientes psiquiátricos, bem como a atuação da guarda municipal nesse tipo de contenção, não é adequado. Trata-se de uma violação grave de direitos humanos. A abordagem deve ser técnica, humanizada e realizada por profissionais capacitados, como equipes de saúde e, em situações específicas, o Corpo de Bombeiros, com suporte psiquiátrico”, afirmou.

 

⚠️ Estrutura precária e falhas no atendimento

 

Durante a visita, a equipe constatou uma série de deficiências estruturais e operacionais na unidade, que comprometem o atendimento adequado aos usuários:

 

  • Ausência de câmeras de monitoramento;
  • Falta de espaços terapêuticos, como quadra esportiva;
  • Inexistência de atividades de reabilitação, como aulas de música;
  • Televisão da unidade foi roubada e não substituída;
  • Déficit de leitos para atendimento em saúde mental;
  • Indícios de despreparo da equipe para manejo de pacientes em crise.

 

As constatações reforçam a necessidade urgente de investimentos na estrutura e na qualificação dos profissionais que atuam no equipamento.

 

🧠 Saúde mental exige abordagem especializada

 

A Comissão destacou que o tratamento de pessoas em sofrimento psíquico deve seguir diretrizes da reforma psiquiátrica brasileira, com foco na dignidade, no acolhimento e na redução de danos, evitando práticas coercitivas e violentas.

 

A ausência de psiquiatras em momentos críticos e a substituição de protocolos clínicos por intervenções de força foram apontadas como falhas graves no sistema.

 

🏛️ Comitê levará caso ao prefeito JHC

 

Diante da gravidade da situação, o Comitê Intersetorial Pop Rua Maceió informou que levará o caso ao prefeito de Maceió, JHC, solicitando providências imediatas.

 

Entre as medidas propostas estão:

 

  • Reestruturação do CAPS AD;
  • Ampliação da rede de atendimento em saúde mental;
  • Capacitação contínua das equipes para manejo de crises;
  • Implementação de protocolos humanizados de contenção;
  • Garantia da presença de profissionais especializados durante atendimentos críticos.

 

📢 Direitos humanos e dignidade no centro do debate

 

O caso reacende o debate sobre o tratamento destinado à população em situação de vulnerabilidade, especialmente pessoas com transtornos mentais e dependência química.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB reforçou que continuará acompanhando o caso e não descarta a adoção de medidas legais caso sejam confirmadas violações.

 


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