Eu, Filho do Dono do Mundo

Por Raudin de Lima

Raudrin de Lima
08/11/2025 16h40 - Atualizado há 4 meses

Eu,

filho do Dono do Mundo,

que carrego no peito as marcas dos ventos

e os sorrisos que o tempo me deu,

hoje celebro 56 primaveras

bem vividas, bem sentidas, bem digeridas,

entre o mel suave do amor

e o travo amargo do dissabor.

 

Caminhei da alegria cristalina

à nostalgia que aperta o peito,

da emoção transbordante

à ilusão escura e sem norte.

 

Eu vi  jovem ainda 

o clamor pela anistia ecoar nas ruas,

e as Diretas agitarem a pele da nação

como um sopro de luz no corpo da História.

Meu coração juvenil nem sabia

que testemunhava um tempo santo,

mas a alma sabia  e se arrepiou.

 

Fui voz de estudante recém-liberto,

eco do sonho que não se cala:

o direito à escola aberta,

à meia-entrada no ônibus e no teatro,

ao estádio e ao riso partilhado;

fui bandeira viva da juventude

que conquistou o direito de votar aos 16

e o dever de erguer a voz contra o arbítrio.

 

Aprendi a amar as ruas

e a cuidar delas:

no Lar Sementes do Amanhã

colhi flores onde o mundo via pedras,

toquei vidas que pediam acolhida,

e plantei futuros invisíveis

para que a esperança tivesse onde dormir.

 

Depois, na lida do jornalismo,

defendi o verbo livre como asas;

e na advocacia,

tornei-me guardião da dignidade humana,

fiador da justiça que deve morar

no coração de todos os homens.

 

E hoje, ao olhar minha própria história,

não peço desculpas ao tempo:

eu confesso 

eu vivi.

 

E sigo vivendo,

inteiro, firme, aceso,

com toda a força da minha alma

e com a gratidão que me ergue

sempre mais alto.

 

Obrigado, meu Deus,

por cada estrada,

cada lágrima,

cada vitória,

cada porquê e cada talvez.

 

Eu sou 

e continuo sendo 

filho do Dono do Mundo.

E meu coração

ainda é jovem.

 


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