A Esplanada dos Ministérios e, sobretudo, a Praça dos Três Poderes viveram nesta terça, dia de retorno das atividades da Câmara dos Deputados e do Senado, após o recesso iniciado em 18 de julho, um clima de guerra acirrado pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada na véspera.
A Esplanada estava gradeada a partir do prédio do Ministério da Saúde. Ônibus de Comando da PM do Distrito Federal, com tropas numerosas, estavam posicionados desde cedo na Avenida das Bandeiras.
Ou seja, tudo o que não foi feito para impedir o quebra-quebra dos golpistas no 8 de janeiro de 2023.
Motta acompanha à distância
Embora tenha ficado na Paraíba, cumprindo agenda, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos -PB), estava controlando a situação à distância e trabalhando para esfriar a temperatura.
Primeiro, deu uma declaração de que se pode recorrer de decisões judiciais nos canais competentes, mas “decisão judicial se cumpre”, pelo respeito ao Estado Democrático de Direito.
Alcolumbre e Motta reagem
Mas a Oposição, liderada pelo PL na Câmara e no Senado, agiu como os depredadores de 8 de janeiro e investiu contra o Regimento das duas casas.
Aí, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cancelaram as sessões que haviam sido agendadas para esta terça-feira, depois que os membros da oposição obstruíram o andamento dos trabalhos e ocuparam as tribunas das duas casas.
Presidente do Congresso, Alcolumbre, que também não compareceu ao Senado, classificou de “exercício arbitrário" a ocupação da Mesa Diretora, e cancelou a sessão.
Já Hugo Motta determinou que o Plenário da Câmara só poderia ser ocupado por deputados. Além de curiosos, até assessores com crachá estavam vetados, para evitar o clima de balbúrdia e de “falsa inflação” de apoiadores.
A trincheira da oposição
É que a oposição, liderada pelo PL, o partido de Bolsonaro, retornou mais aguerrida do que nunca. A palavra de ordem do partido, que comemorou o tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras (que entram em vigor nesta terça) e as sanções do Departamento de Estado contra o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes, adotou como missão aprovar de todo o jeito a anistia para os golpistas, à frente o ex-presidente.
O espírito de guerra foi expresso pelo primeiro vice-presidente da Mesa Diretora, deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), que disse em alto e bom som: o dia em que o presidente Hugo Motta estiver fora do país e eu estiver na cadeira, ponho em votação o projeto da anistia”.
A precaução de Motta
Para reduzir ainda mais a temperatura, o presidente da Câmara, postou da Paraíba, antes de embarcar para Brasília, postou no X para tentar jogar água na fervura. Motta disse que acompanha a situação desde a manhã desta terça.
“Acompanho a situação em Brasília desde as primeiras horas do dia de hoje, inclusive o que vem acontecendo agora à tarde no plenário da Câmara. Determinei o encerramento da sessão do dia de hoje e amanhã chamarei reunião de líderes para tratar da pauta, que sempre será definida com base no diálogo e no respeito institucional”.
“O Parlamento deve ser a ponte para o entendimento”, escreveu Motta.
O dilema de Waldemar
Os bolsonaristas deixaram o deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), presidente do PL de Jair Bolsonaro, de calças curtas ao exigirem a expulsão do deputado federal Antônio Carlos Rodrigues do partido, dia 1º de agosto, por ter criticado o presidente Trump e defendido o ministro Alexandre de Moraes.
É que Rodrigues é amigo de décadas de Valdemar e de Alexandre de Moraes (se frequentam muito). A decisão deixou Valdemar aborrecido.
Valdemar não foi indiciado
É que, apesar dos radicais do partido e dos bolsonaristas, o presidente do PL, Valdemar, ainda transita bem no Supremo Tribunal Federal (STF).
A prova do bom trânsito é que embora Moraes, quando presidia o Tribunal Superior Eleitoral, multou o PL em quase R$ 22 milhões por “litigância de má fé”, ao interpor recursos pedindo a recontagem de votos por duvidar da lisura das urnas eletrônicas, Valdemar não foi indiciado no processo contra os golpistas.
Lucro do Itaú continua numa boa
Enquanto a oposição esperneia e a Faria Lima se divide sobre o tarifaço, o lucro do maior banco privado brasileiro, o Itaú, expoente do centro financeiro da Faria Lima somou R$ 11,508 bilhões no segundo trimestre. Um crescimento de 3,4% sobre o primeiro trimestre e de 14,1% sobre igual período de 2024.
Apesar de gastos de R$ 9,966 bilhões com previsões para devedores que não aguentaram o pagamento dos juros altos, o lucro superou a soma dos R$ 6,067 bilhões do Bradesco e dos R$ 3,73 bilhões da filial do espanhol Santander.
No primeiro semestre, o Itaú teve ganho líquido de R$ 22.636 bilhões, apesar da baixa de R$ 19,158 bilhões com provisões para devedores duvidosos.